sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Calcinhas

Ele tinha uma maldita cena em sua cabeça. O sujeiro que roubava calcinhas em "Matou a família e foi ao cinema". Praticamente um pensamento recorrente. Como uma praga. Algo que sempre volta.
Um dia, voltando da bebedeira, repara uma moça com um curto vestido preto. Não, não me peça para dizer que tipo, que tecido era. Nem eu, nem ele saberíamos dizer.
O que me contou foi que decidiu seguí-la.
No meio da quadra acelerou o passo e agarrou-a.
"Me larga, vou gritar, vou chamar meu marido !"
"Não vai nada, vestida desse jeito você não tem marido coisa nenhuma, ou então ele é um bom corno"
"O que você quer ? Me estuprar ? Dinheiro ?"
"Não, quero só sua calcinha"
Ela ficou estática, não acreditando .
Ele se ajoelhou, enfiou as mãos por dentro do vestido dela. Sua pele lisa até hoje está na memória dele.
Depois de retirar a peça, com a colaboração dela, levantando primeiro um pé depois o outro, ele observou-a.
Pequeniníssima.
Revoltado, jogou-a em cima de um capô de um carro.
"Fique com esta merda"
E foi embora, sem olhar para trás.

Crônica

Ah, o amor... o amor não é só uma simples palavra. Entre homem e mulher é 'love', que vem de libido. A atração da carne. O desejo de tocar, ligar os genitais, fazer a cópula. O momento em que nós humanos somos mais bichos do que os bichos.
O amor pode ser razão da vida, ou da loucura.
Eu te amo, mesmo que você não me ame, um dia por vez, carpe diem.
O problema todo é que pensamos demais, isso atrapalha.
Temos que pensar em acordar para trabalhar, ganhar dinheiro, pagar as contas, manter as coisas e os serviços que no início do século 19 não haviam: energia elétrica, telefone, internet.
Mas o amor é que nos mantém.
Sonhando.
Fugindo da inexorável escuridão da morte.
Enquanto vivos, amamos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ata-me

Ela nunca tinha passado por isso. Se julgava uma amante do sexo baunilha (tradicional, sem maiores estrepulias). Mas, resolveu atender aos pedidos dele. Entrou no quarto do hotel, se despiu, apagou todas as luzes, enquanto o aguardava vir do banheiro. Antes que a porta se abrisse, as luzes do toillete já estavam apagadas.
E ela lembrou da forte recomendação dele:
- Quando você perceber que a porta do banheiro está se abrindo feche os olhos e mantenha-os fechados.
Ela está sentada. Pensa em desistir da brincadeira. De repente ela sente as mãos dele tocando seu rosto, os dedos deslizando suavemente sobre seus olhos, como que confirmando que estavam fechados.
Em seguida ela percebe que está sendo vendada. O que ele vai fazer ?
Ele a inclina para que ela se deite, puxa uma das mãos dela, e ela sente a corda sendo amarrada, de forma gentil, porém firme. O mesmo acontece com a outra mão, e cada um dos seus pés.
Neste momento ela está atada, tendo apenas um lençol sobre seu corpo.
Ela percebe que as mãos dele começam a deslizar por seu corpo. Pescoço, ombros, ventre, coxas, pernas, pés, e em seguida o lençol é retirado vagarosamente.
Sente o corpo dele se deitando sobre o dela. Sente um beijo no pescoço que escorrega para seu queixo, seu rosto, sua boca, e subitamente ele se levanta.
Seu coração já está disparado.
Passam-se alguns segundos que pareceram uma eternidade.
Sente um líquido frio, ligeiramente viscoso, ser derramado em sua barriga. O que será ?
Ele passa a lamber o líquido, que pelo aroma, ela percebe que é algum licor. Queria bebê-lo.
Ele para, quando parece não haver mais nenhum vestígio do licor.
De repente, sente seus pés, um após o outro, sendo beijados, lambidos, os dedos sugados. E ele começa a subir por suas canelas.
Ela já está tremendo de tesão. Quando ela acredita que vai receber um maravilhoso sexo oral em seu grelo, ele sobe pela ligação da coxa com seu tronco, em direção aos seus seios.
Ele suga, quase como um bebê ao mamar. Ela se contorce de prazer.
De repente ele para. Parece ir ao tollete. Ela tenta se desamarrar, mas não consegue.
Lhe dando um susto, ele volta deitando-se sobre ela.
Ela sente seu membro duro apertando contra suas coxas.
Mas ele não faz menção de penetrá-la.
Apenas a bolina, enquanto beija seu pescoço, suas orelhas. Ele vai escorregando lentamente, entre beijos estalados, lambidas, passadas de mão, mordiscadas. Até que ele chega com sua língua em sua vulva, vagina, buceta, xoxota. Desce e sobe a língua em seus pequenos e grandes lábios, seu clitóris. Beija, suga, trisca a língua enquanto envolve praticamente sua buceta com sua boca.
Ela quer ter forças para arrebentar as cordas a agarrar seu amante, mas não consegue.
Ele dá à ela sexo oral até que ela goza. Numa convulsão de prazer.
Ele se levanta, ela começa a chorar. Lágrimas de prazer. De raiva pela sensação de impotência.
Ele volta, acaricia seu rosto, seca-lhe as lágrimas.
Volta a beijar todo o seu corpo, e a deitar-se sobre ela. Ela vira o rosto, numa tentativa de demontrar que não quer mais assim, quer acabar com a tortura, para que possam fazer amor às claras, para que ela possa abraçá-lo.
Ele finge que não entende.
E a penetra lentamente.
Bate seu corpo contra o dela, que começa a sentir novamente prazer.
5, 10, 15 minutos, quantos? E a trepada, a foda, o sexo, a cópula continua.
Quando ele percebe que ela está se aproximando, ele acelera, retira o pau, e goza em seu ventre.
Fartamente.
Ela se contorce.
Ele se levanta, pega uma toalha, limpa o ventre de sua amante, desata suas mãos, ela se senta, ele acende um abajur.
Ela sorri, com olhos vermelhos:
- Nunca mais faça isso, seu puto.
Ele a abraça, e beija seu rosto ternamente.
- Duvido que você não queira que eu faça novamente isso...

Encontro

Ajoelhou-se diante dela, abraçou-lhe as coxas, e chorou.

- Pare de bobagem, homem...

Enxugou as lágrimas no vestido, levantou a barra deste, e sofregamente começou a beijar suas coxas, e a descer sua calcinha de um lado com uma das mãos, e do outro com os dentes, lentamente.

Ela suspirava...

Depois de retirar completamente sua peça íntima, deixar cair a barra do vestido, continuava ajoelhado diante dela, e a abraçou por suas coxas, novamente. Ela meneou a cabeça, como dizendo: Ele não tem jeito mesmo...

Ele olhou pra cima, e disse:

- Você sabe que te amo...

- André, já conversamos sobre isso, nesse momento, por favor, pare de pieguices e me ame sobre meu corpo, na cama.

Num ‘misto’ de desejo e obediência, ele a atende.